Não é exemplar, é só o que aconteceu.
Bom, nascido e batizado como católico,
fiz catequese mas ainda não tomei vergonha na cara pra fazer a crisma.
O meu melhor amigo aqui no Brasil é evangélico,
não tenho problema nenhum em conviver.
Até já fui algumas vezes em cultos.
Na minha adolescência cheguei também a fazer amizade e
estudar a bíblia com um camarada testemunha de Jeová.
Posso dizer categoricamente que encontrei bons e maus exemplos
em todas as denominações que tive contato.
E atualmente, os teólogos mais incríveis que eu acompanho são
o adventista do sétimo dia doutor Rodrigo Silva e o pastor batista Luiz Sayão.
De católico acompanho um pouco o padre Paulo Ricardo e o Frei Gilson.
A propósito, já tive fase de brigar com Deus e ficar temporariamente ateu.
Por sorte, não durou mais do que meio ano…
Quando fui trabalhar/morar no Japão,
nesse tempo era um pouco complicado encontrar qualquer igreja pra ir.
Não vou mentir, não sou exatamente exemplo de frequentador,
mas quando se procura por lá, são pouquíssimas opções.
Tanto que a única que eu consegui ir uma vez foi uma Assembleia
e o culto era em portunhol com um pastor provavelmente peruano.
Não deu pra tankar(gíria horrível), e como medida excepcional,
nesse tempo eu passei a assistir missa online do padre Marcelo Rossi.
E posso dizer que foi um excelente quebra galho.
Até assisti vários programas que ele transmitia na rádio Globo.
A seriedade e perfeccionismo nas pregações e canções eram muito cativantes.
Agora, um episódio um tanto curioso que aconteceu lá no Japão:
Um dia, após voltar do trabalho, bateram na minha porta e eu fui atender.
Uma moça japonesa falando um português horrível.
Após um pouco de explicação e uma brasileira aparecer pra falar melhor,
tratava-se de duas testemunhas de Jeová.
Bom, eu já estava acostumado com esse tipo de abordagem por já ter estudado com um camarada.
Só que nesse dia a moça brasileira me falou algo que chamou minha atenção.
Ela explicou que os japoneses tentam aprender e falar português com os brasileiros
porque a língua materna é a que toca o coração.
E para uma mensagem importante, isso se faz necessário.
Bom, agradeci, peguei um exemplar da revista Sentinela que eles distribuem,
expliquei que já havia estudado,
mas não pretendia mudar de religião por discordar teologicamente em alguns pontos.
E vida que segue. Mas fiquei com aquela explicação na cabeça…
Enfim, sigo católico, não acho tão simples desmerecer e deslegitimar a tradição.
Embora eu acho sim que há excessos e equívocos em todas as denominações,
e alguns questionamentos dos irmãos protestantes eu acho pertinentes sim.
É complicado julgamento moral de ambos os lados.
Acho que respeito e compaixão não fariam mal.
Há problemas bem maiores a serem solucionados.
A salvação é individual.
Hoje em dia, só não devemos ser devotos da grande Santa que dominou o Brasil.
Maria? Antes fosse. A implacável Santa Ignorância.
Estamos na era da informação e tem teólogos maravilhosos no Brasil.
“A gente tá com a bola toda, somos a última bolacha do pacote?
Coisa nenhuma. Somos muito mais carne de pescoço do que gostaríamos de admitir”
E logo abaixo, uma das melhores pregações que eu já vi na minha vida.
Indicaria para qualquer pessoa, até mesmo quem não curte muito esse tipo de conteúdo.
Muito bom esse texto. Realmente devemos evitar essa santa que ela está tem dividido as pessoas desnecessariamente.
Muito legal essa parte que trouxe do Japão. Se puder contar mais algumas experiências de lá seria top também!!